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15.05.2017

A safra puxa o país

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A safra deste ano é impressionante inclusive em seus números. Vamos atentar para alguns deles. As últimas projeções apontam que a colheita de cereais, leguminosas e oleaginosas deve alcançar 233,1 milhões de toneladas, o que representa 26,2% a mais do que o resultado do ano passado. A estimativa da área a ser colhida é de 60,8 milhões de hectares, um acréscimo de 6,5% em relação a 2016.

Os maiores produtos desse grupo são o arroz, o milho e a soja, que chegam a 93,7% da estimativa de produção, alcançando 87,9% da área colhida. Todos cresceram nos dois indicadores, respectivamente: a soja, 17,5% e 2,4%; o arroz, 13,5% e 3,3%; e o milho, 46,8% e 16,5%.

Já no ano passado, o agronegócio respondeu por 23.5% do PIB, ou seja, de cada R$ 1,00 gerado na economia brasileira, o setor respondeu por pelo menos R$ 0,23. Se for avaliado o caráter indireto, esse número se amplia. Nos últimos dez anos, o agro foi responsável por um superávit de U$ 700 bilhões para a balança comercial brasileira. A tendência deve ser ainda maior em 2017. O Agrishow e a Expodireto, duas das maiores feiras agropecuárias do país, já mostravam esse sucesso. Segundo estudo do Banco Central, as atividades agropecuárias devem crescer entre 3,3% e 7,8% neste ano.

O setor, portanto, continuará exercendo um papel estratégico para a economia brasileira. Atrai compradores externos e, ao mesmo tempo, regionaliza o desenvolvimento, fazendo tecnologia, emprego e renda chegarem ao interior e às regiões mais longínquas do país. Isso tudo sem falar nos benefícios diretos à população, como garantia de alimentos com preços mais acessíveis e fomento de novas fontes energéticas. Tem ainda o setor de máquinas e equipamentos agrícolas, responsável por grande vigor na cadeia, que agora vem reagindo melhor.

O agro é o Brasil que dá certo. Uma área que, em primeiro lugar, não deve ser obstaculizada pela burocracia estatal exagerada. E, indo além, deve ser protegida e incentivada. O governo não pode descuidar do crédito, por exemplo. É interessante a ideia de existir um Plano Safra plurianual, com preços mínimos anualmente corrigidos. Isso permite que o produtor tenha um planejamento melhor, otimizando sua produtividade.

O programa Moderfrota precisa ser fortalecido, pois ajuda a agricultura e outras cadeias produtivas. Também devem ter continuidade políticas como o Pronaf, o Mais Alimentos, o Pronamp e o Moderinfra, com taxas fixas e juros civilizados, compatíveis com o risco e o retorno do investimento do agricultor. O parque de máquinas de um agro tão pujante precisa de melhorias contínuas.

A propósito disso, no tocante aos juros, o Copom tem em sua frente condições que viabilizam uma redução ainda maior da taxa básica. A recessão persistente e a inflação sob controle ensejam uma queda de 1,25% no índice, fazendo o juro migrar para 10% ao ano – o que, convenhamos, ainda é um número muito alto. Mas, de qualquer modo, a diminuição injetará um novo ânimo no mercado.

O produtor rural brasileiro tem se mostrado muito competente. Mas o universo da agricultura depende de fatores imponderáveis, tais como clima, commodities, crédito e câmbio. A safra 2017 está boa, e vai puxar o país pra cima. Se esses elementos também confluírem em favor, nossa retomada será ainda mais rápida e abrangente. Que se abram os caminhos, pois agro forte é Brasil forte.